Filme, pipoca e lugar marcado
9 de junho de 2011 | 1 Comentario | Arquivado em NoticiasLei determina que cinemas de BH adotem venda de ingresso com cadeira numerada. Redes têm 180 dias para adaptação
As salas de cinema de Belo Horizonte serão obrigadas a adotar a venda de ingressos com cadeira numerada, assim como já ocorre em grandes teatros. De acordo com a Lei Municipal 10.199, publicada na terça-feira, as salas de projeção terão 180 dias para se adequar ao novo modelo. O descumprimento à regra pode render multa no valor de 50 vezes o preço do ingresso cobrado pelo espaço de exibição, que é dobrada em caso de reincidência. A venda numerada já é adotada em capitais como o Rio de Janeiro, mas em Belo Horizonte, apenas o complexo Cineart instalado no Boulevard Shopping utiliza o sistema, como projeto-piloto.
A lei de autoria do vereador Leonardo Mattos, tem como um de seus objetivos disciplinar as enormes filas que costumam se formar nas salas de projeção, especialmente em feriados e nos fins de semana. Além de esperar para comprar os bilhetes, é comum consumidores se aglomerarem até duas hora antes do início da projeção, para garantir um bom assento.
O ingresso numerado agradou quem costuma ir ao cinema com frequencia. O bombeiro Jadson Oliveira foi ontem assistir “Piratas do Caribe” com o filho Nikolas e já experimentou algumas vezes o lugar marcado. “Acho excelente esse formato, porque sei exatamente onde vou ficar. É bem melhor e mais organizado do que a venda sem numeração. Vai ser ótimo ter toda a cidade aderindo.” Ontem, a dona de casa Tatiana Almeida comprou rapidamente seu ingresso para assistir X-Men e pôde passear sem desesperos enquanto aguardava a hora da sessão. “A venda numerada é fantástica. Sei que não preciso correr para entrar na sala, que não vou ficar colada ao telão porque já escolhi o meu lugar.”
Segundo a vereadora Maria Lucia Scarpelli, presidente da Comissão de Direito do Consumidor da Câmara Municipal, a lei vai disciplinar a questão da fila dupla. “A cadeira numerada é um direito do consumidor que pagou pelo ingresso e por isso deve assistir ao filme com conforto.”
O projeto piloto desenvolvido no Shopping Boulevard foi bem recebido pelo público e tem atingido o objetivo de evitar as filas, segundo o gerente geral do Cineart, Lúcio Otoni. A rede administra sete complexos e 45 salas de projeção. “Vamos estudar a lei para fazer as adequações devidas em outros complexos.” Segundo Otoni, o novo modelo é uma tendência.
De acordo com a lei, a numeração deve vir exposta de forma clara no bilhete. Mesmo assim, para evitar confusão, é importante que os consumidores sejam alertados sobre a mudança. A professora Kelly Costa vai ao cinema pelo menos três vezes ao mês. Ela conta que teve problema quando foi assistir ao filme Rio 3D com mais cinco pessoas. “Compramos ingressos numerados e quando chegamos havia outras pessoas no nosso lugar. Os funcionários do cinema tiveram que interceder. Por causa disso, a projeção, que já havia começado, foi interrompida. O filme teve de ser reiniciado.” Segundo Lúcio Otoni a equipe das salas deve ser treinada para explicar sobre as novas regras.
A reportagem procurou o complexo Cinemark mas até o fechamento da edição, não obteve retorno. A fisioterapeuta Carolina Apgaia e o mecânico Nelson Rodrigues, frequentam cinemas no modelo novo e antigo e não têm duvidas: “A cadeira numerada é bem melhor, garante bom lugar sem filas”, comenta Carolina.
ANÁLISE DA NOTÍCIA
Exigir que as cadeiras no cinema sejam numeradas é fácil. Difícil é modificar comportamentos. Nem mesmo no Palácio das Artes, que desde a inauguração nos anos 1970 se firmou como principal casa de espetáculos da capital mineira, o público se acostumou à ideia. É comum, principalmente, quando os preços dos ingressos são diferentes entre os setores na plateia, aquele que pagou mais ter o desprazer de encontrar ocupada a cadeira numerada. E, pior, suportar o mau humor do que se sentiu no direito de usurpar o seu lugar. Nas salas de cinema do Boulevard Shopping, inauguradas no fim do ano passado, as cadeiras são numeradas. Mais de seis meses depois, boa parte dos frequentadores fazem de conta que não é com eles. Para aprimorar a lei, falta a venda pela internet com a marcação dos lugares, como nas companhias aéreas. Em São Paulo e Rio, já é assim. Bem-vinda a medida, agora é esperar fiscalização, melhor forma de fazer a lei pegar. (Patrícia Aranha)
Fonte: Jornal Estado de Minas
Publicação: 09/06/2011
Repórter: Marinella Castro
Parabéns Vereador!!!
Os frequentadores de cinema de BH agradecem.
Agora poderemos comprar as entradas e retornar próximo ao horário da sessão.
Brilhante iniciativa!!!