Manifestação em defesa da Mata do Planalto leva cerca de 200 pessoas às ruas da região norte de BH
15 de março de 2011 | Sem Comentarios | Arquivado em Noticias
Cerca de 200 pessoas realizaram, no dia 12 de março, mais uma manifestação em defesa da Mata do Planalto, localizada na região norte de Belo Horizonte, que corre o risco de desaparecer com a construção de edifícios no local.
Durante a manifestação chamada “Caminhada pela Mata do Planalto”, os moradores percorreram diversas ruas do bairro e deram um abraço simbólico na Mata. De acordo com o vereador Leonardo Mattos (PV), defensor da preservação da área, o Município de Belo Horizonte precisa decidir que tipo de cidade quer: “uma BH verde ou uma cidade de concreto. A cultura exploratória tem que ceder lugar ao senso de preservação e à sustentabilidade”, comentou.
“Não podemos permitir que este patrimônio natural da comunidade seja destruído”, protestou a moradora Magali Ferraz Trindade. Segundo o presidente da Associação de Moradores da Vila Clóris, Fernando Tavares, a população da região quer que o terreno seja desapropriado pela Prefeitura e seja criada no local uma área de preservação e educação ambiental. “Não queremos parque. A região já possui três, que estão sujos e abandonados”, acusou.
No próximo dia 23, haverá uma audiência pública na CMBH para apresentação dos estudos realizados pelo Ministério Público. O documento recomenda a PBH pela não aprovação do empreendimento.
Entenda o caso
A Mata do Planalto é uma reserva com 300 mil m² da região norte da capital. O local também conhecido como “Mata do Maciel” foi vendido a uma construtora que pretende construir um empreendimento com 16 prédios de 15 andares cada, com o total de 760 apartamentos e 1.016 vagas de garagens, ocupando uma área de 115.140,96m².
Visto o grande impacto que a Mata poderá sofrer com a possível autorização do empreendimento, o Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais da UFMG (GESTA) realizou um diagnóstico em relação ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) apresentado pela Empresa Rossi. De acordo com a análise, o EIA-RIMA apresenta diversos pontos críticos relativos à ausência de avaliações sobre os impactos bem como incoerências metodológicas e emprego de dados defasados.
Desde março do ano passado, os moradores do bairro Planalto já fizeram diversas manifestações e audiências públicas. Na última audiência, realizada no dia dois de setembro na Câmara Municipal, o Promotor de Justiça do Ministério Público Estadual de Meio Ambiente, Luciano Badine questionou a legitimidade na condução do processo que autoriza a construção de prédios na Mata do Planalto, pois um dos membros do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comam), que era relator do processo, montou uma empresa de consultoria ambiental e, por isso, desligou-se das atividades ligadas ao Conselho Estadual de Meio Ambiente, mas não o fez no órgão municipal.
Confira as fotos da manifestação
Palavras chaves: Belo Horizonte, Manifestação, Mata do Planalto, Meio Ambiente.