Moradores do bairro Planalto são contra destruição de uma das últimas áreas verdes de BH
19 de julho de 2010 | Sem Comentarios | Arquivado em Noticias
A comunidade do bairro Planalto, localizado na região norte de Belo Horizonte, participou de audiência pública, no dia 13 de junho de 2010, realizada pela Secretaria de Meio Ambiente, que teve o objetivo de ouvir os moradores a respeito de um empreendimento imobiliário que a Construtora Rossi pretende fazer em uma das últimas áreas verdes da cidade, a Mata do Planalto.
Conhecida como “Mata do Maciel”, a área tem cerca de 300 mil m² (equivalente a 27 campos de futebol). Local onde a Construtora Rossi, pretende edificar oito torres de prédios com 16 pavimentos; 760 unidades residenciais (de 2 e 3 quartos); 1.016 vagas de estacionamento e 115.140,96m² de área. Se licenciada, a construção durará quatro anos e deve causar um aumento de aproximadamente quatro mil pessoas da população local.
Em defesa da Mata do Planalto
Durante a audiência, os moradores encheram o auditório da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE). Cerca de 500 pessoas puderam expor suas opiniões a respeito da destruição da Mata do Planalto e contra-argumentar as justificativas da implantação do empreendimento apresentadas pela Rossi.
O biólogo Iury Valente Debien explicou que o que a Construtora faz é um “marketing verde”, ou seja, usa a imagem do meio ambiente para lucrar. “A Rossi afirma ser uma empresa com consciência ambiental, mas na verdade só quer aproveitar do discurso ambientalista para conseguir lucro”, destacou o biólogo. Iury explicou ainda que o impacto da obra na região será irreversível. “A Mata do Planalto é um dos últimos fragmentos urbanos de mata virgem de BH. Sua destruição vai gerar modificações ambientais e problemas no clima”, disse o biólogo.
O morador Frederico Alexandre Costa afirmou que a comunidade lutará para a preservação da área. “Só perderemos a esperança quando a última árvore for derrubada”, destacou.
Moradora do bairro a mais de 40 anos, Magali Ferraz disse que a área é patrimônio dos moradores. Magali aproveitou e declamou uma poesia em defesa da Mata. “Não me mate, deixe me viver. Não corte os meus troncos e os jogue em qualquer canto…”.
Impactos
O ambientalista Otavio Freitas afirmou que o Poder Público deve atuar em parceria com a população. “Nós não somos contra o crescimento e sim a favor do desenvolvimento sustentável”. Otávio explicou ainda que só na região em torno do bairro Planalto vivem mais de 74 mil habitantes. “A preservação integral da última área verde de BH é fundamental para garantir a qualidade de vida da população”, explicou.
Ressaltando o impacto social do empreendimento, o Professor Geraldinho disse que não há postos de saúde, escolas e áreas de lazer suficientes para a população local.
Para o vereador Leonardo Mattos o papel do Estado é o de equilibrar forças e impedir que o poder econômico se sobreponha sobre os interesses da população. Mattos destacou que a Prefeitura de Belo Horizonte age com a lógica da “moto-serra”, predominando a liberação de licenças de empreendimentos que devastam o meio ambiente. “A PBH não pode ser um ‘órgão licenciador’ e sim representante dos interesses da sociedade”, ressaltou.
Leonardo destacou ainda a presença de apenas dois membros dos 12 conselheiros do Conselho Municipal do Meio Ambiente (COMAM). “Isso mostra a falta de interesse da Secretaria de Meio Ambiente neste caso. Quando o projeto chegar às mãos deles o que eles saberão a respeito da realidade local?”, afirmou.
Para que o empreendimento seja aprovado é preciso que os membros do COMAM aprovem a licença prévia. A Construtora Rossi protocolou este pedido no dia primeiro de junho de 2010.
Palavras chaves: Audiência, Belo Horizonte, Meio Ambiente.