Jornal Estado de Minas publica matéria sobre defesa da Mata do Planalto
12 de julho de 2010 | Sem Comentarios | Arquivado em Clipping, Sala de Imprensa
Moradores do Bairro Planalto, na Região Norte de Belo Horizonte, participam terça-feira, às 19h, no auditório da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje, ex-ISI), na Avenida Cristiano Guimarães, 2.127, de audiência pública para discutir o destino da Mata Maciel ou Mata Planalto, ameaçada pela construção de empreendimento imobiliário. Na manhã de ontem, com faixas, apitos e muita disposição, representantes da comunidade e ambientalistas fizeram ato público nas proximidades da área de 300 mil metros quadrados, algo em torno de 27 campos de futebol. À frente do movimento está a Associação Comunitária do Planalto e Adjacências (Acpad).
“Na mata há várias nascentes, entre as quais a que dá origem ao Córrego Bacuraus, que deságua do Ribeirão Isidoro e integra a Bacia do Rio das Velhas”, explicou a moradora e defensora do recurso natural Magali Ferraz Trindade. Ela destacou que uma construtora de São Paulo (SP) pretende construir na área, que é propriedade particular, oito torres com 15 andares cada uma e um total de 800 apartamentos. “Nosso bairro não comporta mais cerca de 3 mil pessoas. Serão muitos os impactos no trânsito, nos serviços públicos, sem falar nos efeitos para a violência urbana”, afirmou Magali. Uma das soluções apontadas está a desapropriação pela prefeitura, para que a mata se torne área de preservação.
O vice-presidente da Acpad, Antônio Matoso, morador do bairro há 40 anos, disse que vai à entidade e pretende recorrer a todos os órgãos e instâncias, entre eles os ministérios públicos estadual e federal, para impedir a destruição da mata e posterior construção do empreeendimento, que deverá ocupar 115 mil metros quadrados. “Não podemos permitir isso, pois se trata de uma reserva com árvores nativas e muitos animais. Os moradores debaterão as questões na presença de autoridades municipais do meio ambiente.
NASCENTES. Acompanhando a manifestação, o biólogo Iury Valente Debien informou que a Mata do Planalto é um dos últimos fragmentos urbanos de mata virgem de Belo Horizonte. “Sua destruição vai gerar modificações ambientais e problemas no clima. É muito importante para a cidade manter e valorizar esse patrimônio incluído no Vetor Norte”, disse o biólogo, lembrando que o local tem muitos pássaros, répteis, anfíbios e mamíferos. No mapeamento que fez, Iury identificou 20 nascentes na área.
O ecólogo Aloízio Pelinson Gomes também se mostrou preocupado com uma possível devastação na região. “Junto com o Parque Municipal Fazenda Lagoa do Nado, na divisa com a Pampulha, a Mata do Planalto é a última área de mata nativa do bairro. Temos que pensar nos efeitos negativos do seu desaparecimento e na perda da qualidade de vida dos moradores”, afirmou Aloízio.
Fonte: Jornal Estado de Minas
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Palavras chaves: Belo Horizonte, Manifestação, Meio Ambiente.